
Alexandre Frota fez um pedido para que o passaporte de Flávio Bolsonaro seja apreendido, sob a alegação de risco de fuga, e relacionou esse pedido às medidas já determinadas anteriormente pelo STF contra o senador.
O vereador de Cotia (SP) informou que protocolou no STF um pedido para apreensão do passaporte do senador Flávio Bolsonaro, direcionado ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
Frota afirmou para a coluna de Fábia Oliveira do Metrópoles temer que Flávio deixe o país e justificou o pedido alegando que o senador possui processos judiciais e que há risco de fuga.
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Na entrevista, Frota fez duras críticas a Flávio e ao bolsonarismo, afirmando que, na sua avaliação, uma eventual vitória eleitoral do senador permitiria influenciar investigações e mudanças na estrutura da Polícia Federal e expôs os planos.
“Ele só queria ganhar essas eleições por dois motivos. O primeiro: livrar a cara daquele vagabundo do pai dele. E o segundo motivo: tirar ele de todos os processos e transferir todos os delegados da Polícia Federal, mudar o diretor geral da Polícia Federal. Com o governador eleito no Rio de Janeiro sendo dele, o Douglas Ruas, ele ia conseguir mexer em toda a estrutura”, revelou.
Jair tentou mexer na PF para salvar Flávio de investigação de rachadinha
Vale lembrar da reunião de Jair Bolsonaro que vazou, onde ele diz que não vai esperar a Polícia Federal “foder” um filho dele.
A frase foi dita pelo então presidente Jair Bolsonaro durante uma reunião ministerial gravada em 22 de abril de 2020.
Na ocasião, a declaração exata foi: “Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence à estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui para brincadeira.”
A gravação dessa reunião se tornou pública em maio de 2020 por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de um inquérito que investigava uma suposta interferência política na Polícia Federal, acusação feita pelo então ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, ao deixar o cargo.
Naquela época, o filho mais velho do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro, era alvo de investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro sobre o suposto desvio de salários de assessores (prática conhecida como rachadinha) em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Posteriormente, as principais provas desse processo foram anuladas pelos tribunais superiores.
Pedido de apreensão de passaportes
O pedido ao STF se baseia no artigo 319, inciso V, do Código de Processo Penal, que prevê a possibilidade de proibir alguém de deixar o país em determinadas circunstâncias. Frota sustenta que a retenção do passaporte seria uma medida cautelar para garantir o cumprimento de futuras decisões judiciais.
Flávio Bolsonaro já havia sido intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes por determinação do ministro Alexandre de Moraes, além de ficar proibido de deixar o país.
Flávio declarou que foi abordado por agentes da PF quando se dirigia para visitar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e atribuiu a decisão a uma manifestação pública de Eduardo Bolsonaro sobre a possibilidade de ele deixar o Brasil caso perdesse a eleição.
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