
Apesar da previsão de retomada das conversas com os Estados Unidos no início da próxima semana, o governo do Brasil avalia que um desfecho para o impasse do tarifaço não ocorrerá de forma acelerada, projetando que um consenso final só deva se concretizar após o período eleitoral.
O encontro agendado para segunda-feira, 31, entre o secretário-executivo do MDIC, Márcio Elias Rosa, e o embaixador do Escritório de Representação Comercial dos EUA (USTR), Jamieson Greer, é encarado pelas autoridades brasileiras como um passo inicial para reestruturar o diálogo e definir como serão apresentadas as próximas propostas. Greer é visto como um interlocutor sem margem de manobra direta no governo de Donald Trump para fazer grandes concessões, porém receptivo aos pleitos técnicos do Brasil — especialmente quanto ao saldo comercial favorável que os EUA mantêm na relação bilateral.
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No entendimento de integrantes do governo, o recente contato telefônico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump aliviou o clima de tensão, permitindo o retorno às tratativas sem que o país precisasse ceder em posições estratégicas. A estratégia do Palácio do Planalto foi aguardar o momento ideal para gerar uma pausa no desgaste e garantir que a diretriz para a reaproximação partisse diretamente do próprio presidente norte-americano.
A avaliação do Executivo brasileiro é de que nem todas as ações da equipe de Washington passam pelo controle direto de Trump, incluindo decisões de cunho político, como a suspensão de vistos de diplomatas e autoridades do país.
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Lula tem sinalizado internamente abertura para discutir qualquer pauta, mantendo, contudo, a orientação firme de não recuar em temas estratégicos para a soberania e a economia nacional, a exemplo da gestão do PIX e das reservas de minerais críticos. Em contrapartida, o governo brasileiro demonstra flexibilidade para negociar tópicos como o ajuste de alíquotas sobre bens de capital.
O Brasil também se dispõe a discutir eventuais adequações na taxação do etanol, desde que o debate seja integrado a um plano amplo sobre a cadeia produtiva de biocombustíveis e do açúcar. Atualmente, o etanol de milho vindo dos EUA é taxado em 18% ao entrar em território brasileiro, enquanto o combustível brasileiro enfrentava uma alíquota de 12,5% no mercado norte-americano antes da aplicação das sanções mais recentes.
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