É muito provável que nenhum outro assunto fizesse Helena perder a cabeça como com Luciana antes da tragédia acontecer. Mas ouvir daquela – sejamos sinceros – garota mimada, que sempre teve todas as vontades realizadas, que nunca lidou com uma perda, que sempre foi tratada como um bibelô de porcelana, algo que, como Helena diz, “ainda sangra” dentro dela é demais até para um monge. O tapa que explode na bochecha de Luciana é uma reação instantânea e certamente deixará marcas. Mas as palavras têm ainda mais força do que a mão que esbofeteia.

Ninguém tem o direito, muito menos Luciana, de debochar e tratar de forma tão leviana de algo que Helena gostaria que ficasse no passado pra sempre. Mas a menina cismou em remexer lembranças delicadas e com tamanha crueldade que desequilibrou Helena. Por isso, ela age de forma tão implacável. Diz tudo que está sufocado dentro de si e não deixa que ela viaje no carro alugado por Osmar para as tops. Rompe relações de fato. Egoísmo? Talvez, mas quem no calor de uma discussão não faria algo semelhante?

Sim, no calor, age-se por impulso. O problema é o que vem depois. Junto com as sirenes da ambulância muita coisa azucrina a cabeça de Helena – algo semelhante a um filme de terror, talvez. Vítima da própria consciência, ela vê a família de Luciana, o namorado, Jorge, os sonhos e esperanças de uma garota em pleno vigor da juventude, de casar e ter filhos. Misturado a isso, a voz e o olhar de Tereza lhe entregando a filha para que cuidasse com todo zelo, os olhos implacáveis de cobrança. Tem também Marcos, marido e pai, que era contra essa viagem em todos os sentidos e com quem teve uma despedida morna.

Agora, todos eles vão receber de volta uma garota bem diferente daquela que deixou o Brasil não muito tempo atrás. Sim, Luciana jamais será a mesma. Mas e Helena, será?

A cena deve ser exibida na sexta, dia 06.



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