No “Conexão Repórter” deste domingo, dia 15, exibirá o documentário exclusivo “A droga da esperança”. Roberto Cabrini comanda uma investigação especial sobre um polêmico tema: são pequenas cápsulas azuis e brancas, que se tornaram alvo de imensa polêmica nacional. São elas, de fato, capazes de curar o câncer?
O nome da substância é fosfoetalonamina sintética. Hoje, chamada simplesmente de “fosfo”. Não são poucos os pacientes da doença que relatam melhora. Não são poucos também os que se opõem ao seu uso. De oncologistas importantes a dirigentes de entidades.
Em uma entrevista esclarecedora, o químico que desenvolveu a substância: Gilberto Orivaldo, professor aposentado da USP. Um homem de 72 anos, hábitos singelos e fala mansa, que não tem dúvida sobre o poder da droga que desenvolveu. “Até hoje todos falaram, mas ninguém chegou e falou: eu levei e não funcionou”, relata Gilberto.
O professor Gilberto é agora um pesquisador colocado no centro de uma enorme discussão. “Aqueles que criticam deviam testar para dizer que não funciona”, defende-se.
Hoje, a “fosfo” é produzida em um pequeno laboratório da USP, no interior de São Paulo. Um ritmo de produção baixo, que não atende a demanda. Cercado de emoção, o debate chegou aos tribunais.
A “fosfo” não tem registro na ANVISA, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Embora proibida, a distribuição acontecia informalmente até ser expressamente proibida. Popular no boca a boca, a “fosfo” nunca passou pelos testes oficiais. Nunca foram feitos testes clínicos, compostos de baterias rigorosas de avaliação, embora o professor de química que a aperfeiçoou relate testes em animais e células humanas e resultados positivos em pacientes a começar por ele próprio. De pacientes que esperam ansiosos… Gente disposta a tudo para obter as cápsulas.
O programa encontrou duas mulheres fortes e carismáticas, que sofrem de câncer e tentaram de tudo até recorrer a fosfoetanolamina. Hoje, se tornaram líderes dos pacientes que lutam pelo direito de continuar tomando a substância.
Bernadete Cioffi se tornou ícone depois de um depoimento emocionado ao Senado. “Eu não temo os efeitos colaterais da “fosfo” mais do que os do câncer”, desabafa.
Com relato semelhante, Nathy Estevam, 35 anos. Administradora de empresas. “A partir do momento que eu tomei ela que eu sinto as melhoras”, conta a jovem, em batalha contra um câncer de pulmão há mais de uma década.
A mais feroz oposição ao uso da “fosfo” vem da mais influente associação: a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica: “Eu como médico, não posso prescrever nem recomendar de forma alguma isso”, desabafa o Dr. Jacques Tabacof, um dos homens que comanda a entidade.
O poder de cura da “fosfo” está longe de ser reconhecido também por um dos mais importantes especialistas de câncer do país: o doutor Fernando Cotait Maluf. “A gente não tem a menor noção se é segura e muito menos eficaz. Isso pra mim é paradoxal como médico, pesquisador e cientista”, desabafa.
Todos os detalhes desta guerra aberta: seus pontos de vista e suas polêmicas, será exibida ao público neste domingo, logo após o “Programa Silvio Santos”, no SBT.






