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terça-feira, 23 de julho de 2024

Prime Video anuncia a ganhadora da primeira temporada de ‘Caravana das Drags’

Hellena Borgys, natural de Minas Gerais, é a Soberana da Caravana

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Fernando Melo
Fernando Melo
Colunista sobre o mundo da TV, celebridades, influencers e personalidades da mídia em geral, atuante no segmento desde 2012, com passagens por diversos sites. No Área VIP, além de colunista, é coordenador de redação.
Hellena Borgys - Foto: Divulgação/Prime Video
Hellena Borgys – Foto: Divulgação/Prime Video

O Prime Video anunciou nesta sexta-feira, 26 de maio, a grande vencedora da primeira temporada de ‘Caravana das Drags‘. Após diferentes desafios em oito cidades percorridas no país, Hellena Borgys foi consagrada com o título de ‘Soberana da Caravana’ e levou o prêmio de R$ 150 mil.

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Dessa forma, no reality show apresentado por Xuxa Meneghel e Ikaro Kadoshi, dez artistas drag viajaram a bordo de um ônibus extravagante. Em cada local, a criatividade e adaptação das competidoras foi posta à prova ao enfrentarem desafios inspirados em diferentes tradições regionais brasileiras. Todos os nove episódios de ‘Caravana das Drags’ já estão disponíveis exclusivamente no Prime Video.

No entanto, é válido pontuar, que a drag Hellena Borgys é uma criação do bailarino, coreógrafo, diretor cênico e maquiador mineiro Uátila Coutinho. O artista também já dirigiu shows do Miss Brasil Gay em 2021 e integrou o elenco das maiores companhias de dança do país, como a São Paulo Cia de Dança, o Grupo Corpo e a Cia de Dança Deborah Colker.

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Confira abaixo a entrevista com Hellena

Como a arte drag entrou na sua vida? A drag entrou quando eu morava no Rio de Janeiro. Eu não tinha contato nenhum com a arte drag, mas uma vez eu quis me maquiar. Fui pra uma festa que tinha outras drags – inclusive lá eu conheci a Ravena Creole, que participa do programa – e fui muito elogiada, mesmo sendo a primeira vez que me montei. E então, começou todo o processo de entender o porquê que eu estava fazendo aquilo. Foi quando eu comecei de fato a criar a Hellena, dar vida ao personagem, pegar referências de maquiagem, referências nos desenhos que eu fazia quando era criança. A Hellena traz muito do que é a minha vida. Eu comecei a contar a minha vida através da Hellena.

Você é um artista multifacetado: bailarino, coreógrafo, maquiador, artista visual, entre outras vertentes. Como você acha que essa bagagem influencia na sua arte drag? Eu venho de uma família muito, muito simples. A minha mãe é empregada doméstica, criou a mim e as minhas irmãs sozinha. E eu fui uma criança que sofria muito bullying. Quando pequeno, eu morei em uma cidade de Minas Gerais que é extremamente conservadora. Então eu sinto que eu comecei a virar artista já ali. Sempre gostei de desenhar porque era a única coisa que eu tinha pra fazer e, além disso, eu comecei a dançar com 14 anos, e na dança que eu me encontrei como pessoa por ser gay e ter outras pessoas LGBTQIAP+ naquele espaço. Eu tento trazer toda essa bagagem que eu tenho da dança, teatro, dos lugares em que já dancei, das pinturas e do artesanato para a drag. A Hellena é uma coisa que junta todas as coisas da minha vida, ela é o resultado da minha história.

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O que te motivou a entrar no programa? Quando eu fiquei sabendo que ia rolar a Caravana, pensei: é a oportunidade que eu tenho de mostrar o meu trabalho. Então eu fui muito focado em fazer isso. Comecei a me preparar para ir para o programa: treinei bate-cabelo, treinei stand-up – porque eu tinha pavor de microfone – e aprendi a costurar. Então, eu estudei todas as coisas que eu ia fazer, me disciplinei pra chegar lá pronto.

Um dos pontos altos de Caravana das Drags é o fato de vocês poderem visitar diferentes cidades do país. Qual delas você mais gostou? A cidade que eu mais gostei de visitar foi Diamantina (MG), porque sou mineiro e eu amo meu estado. Fizemos passeios muito legais, pudemos conhecer melhor a história da cidade. Foi uma viagem muito legal, um processo muito incrível!

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No episódio 7, em São Luís (MA), você interpretou o Ney Matogrosso, na era Secos & Molhados, foi muito elogiada e ganhou o desafio. Esse é um momento que te orgulha durante sua passagem no Caravana das Drags? Fazer o Ney foi muito transformador para mim, porque as pessoas na minha cidade o tinham como referencial negativo, de ofensa. Mas o Ney é um ícone, não tinha como num programa como esse alguém não representar ou não se falar sobre ele. Foi muito emocionante pra mim. De todo o processo de Caravana, quando eu vejo aquele vídeo, me orgulho do compromisso com o qual eu levei o Ney ao palco.

Especialmente no último episódio, o público pôde ver o companheirismo entre você e seu marido. Como ele te apoia na sua carreira? Como é essa rede de apoio entre vocês dois? Nós acreditamos muito um no outro. Eu acredito muito nele como artista e como pessoa e para ele é a mesma coisa comigo. A Hellena se tornou tudo que ela se tornou por causa do apoio dele. Fazer drag é muito desafiador: desde se montar, compor os looks, performar e, depois de tudo isso, ainda lidar com as críticas. É um processo e você tem que ter alguém que te ampare ao longo dele, porque senão você desiste. O Thales, meu marido, desenvolve meus figurinos, me ajuda a pensar nos meus números artísticos…criamos a drag juntos e ter esse apoio faz a arte ficar mais rica.

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E como está sendo a recepção dos fãs nas redes sociais desde a estreia do programa? Olha, eu estou gostando bastante! Os haters eu não leio, meu marido faz essa função. Mas eu recebo muitas mensagens de pessoas que se identificam comigo, que se inspiram na minha arte, e até desenhos de crianças que gostaram da Hellena e do que eu apresentei no programa. Então tem sido uma troca muito legal com o público. Além disso, tenho conseguido pegar alguns trabalhos por conta do meu desempenho no programa e isso era uma das coisas que eu mais queria.

Após vencer o Caravana das Drags, o que você almeja e quais serão os próximos passos de Hellena Borgys? Como o prêmio vai impactar sua vida? Eu pretendo ter um espaço de arte, onde eu possa unir minha drag e todos os looks com o ateliê do Thales, uma sala de dança e uma área dedicada à Yoga, que eu pratico e também dou aula. Além disso, eu quero continuar ajudando minha família financeiramente, com as portas que o programa me abrir. Eu não tenho a ambição de ser famosa, quero apenas trabalhar, poder criar mais e ser reconhecida por isso. Sou uma pessoa muito criativa, tenho muitas ideias e quero que as pessoas as comprem para que eu possa fazer isso se tornar cada vez maior.

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