Mariana Rios – Foto Reprodução Instagram/João Cotta/Globo

Em ‘Malhação – Toda Forma de Amar’, Mariana Santos vive as voltas com os dilemas familiares. Além de cuidar dos filhos, mãe de Raíssa (Dora de Assis) e Thiago (Danilo Maia), a viúva se vê no meio de um triângulo amoroso e vai ficar com o coração balançado entre Marco Rodrigo (Julio Machado) e Madureira (Henri Castelli).

Amando a experiência de ser mãe na ficção, ela não tem planos de ter filhos biológicos, apesar de não descartar a adoção em algum momento da vida. Além da novela, Mariana estreia no Teatro dos Quatro, no Rio de Janeiro, a peça ‘Só de Amor’, que fala de uma cantora que tem uma crise de pânico na estreia de um espetáculo especial. A peça, escrita por ela e pelo marido, Rodrigo Velloni, que também é o diretor, fala sobre a questão do pânico, que é presente na vida de Mariana desde a infância.

Em conversa com o Área Vip, Mariana falou sobre a personagem na novelinha teen, a estreia no palco no dia 02 de agosto e como convive com a síndrome do pânico.

Conta pra gente desses dois amores, Marco Rodrigo e Madureira.

Acho que nem a Carla sabe. Está igual uma adolescente, muito confusa e ela não está sabendo lidar com esse sentimento dela, não sabe o que é ainda. Uma coisa estranha, porque já tem o namoro com o Madureira há um tempo. Acho que quando ela está com os dois fica até um pouco infantil. Eu acho que os adultos viram meio adolescentes quando tem um sentimento assim. Ela tem umas reações muito estranhas, agride o major, é grossa, chora, acho que ela não entendeu ainda o que sente.

A Neide (Quitéria Kelly) vai entrar pra apimentar?

Ela adora a Neide, ela cuida da Neide. Tem até uma cena que ela fala: ‘olha, ele não pode fazer você sofrer’. Ela está com ciúmes, mas ainda não entendeu, mas ela vai sentir muito ciúmes da Neide. A Neide veio para movimentar essa coisa. Mas é interessante falar, eu fico vendo as cenas e penso ‘nossa, como a pessoa fica imatura, não sabendo lidar com suas próprias emoções’.

Você já passou por alguma situação parecida, de se interessar por duas pessoas ao mesmo tempo?

Já, quando eu era novinha. Namorar um cara e se apaixonar por outro e ficar nessa dúvida cruel. ‘Eu amo dos dois, eu amo duas pessoas ao mesmo tempo’. É possível isso?  Eu perguntava para minha mãe, ela falava que não. Então era a maior confusão. Eu terminava com um para ficar com o outro, aí sentia falta do outro e voltava pro outro. Já aconteceu isso comigo.

Você acha que ela pode acabar ficando com os dois?

Tem gente que quer ver a Carla sozinha, né? Ou com a Neide.

E a torcida do  público?

Tá muito dividido. No começo era muito o Major, agora vai para o Madureira. Ela tem papos muito maduros com os dois. Acho que ela se dá bem com os dois.

E você está uma mãe perfeita na novela, né?

Sério? É muito bom fazer mãe. Tô amando fazer. Porque eu não tenho filhos, então toda a minha maternidade eu transfiro aqui. Eu fico preocupada com a Dora (de Assis), com o Danilo (Maia). Eu acho eles são atores ótimos, eles têm uma troca, eles são muito bons de trabalhar. Vão ser grandes atores, sem dúvida nenhuma. E quando contraceno com eles, eu realmente sinto um amor e me identifico com eles como pessoa.

A Dora falou pra gente que sempre foi sua fã e te considera uma mãe mesmo.

Ela me falou isso, ela lembrava de um quadro que ela via no Zorra Total, do Aderbal. Gente, olha quanto tempo.  Olha como o universo vai unindo as pessoas. E agora a gente está aqui como mãe e filha.

Porque que a Carla pega tanto no pé do Tiago?

É com muito amor. Tá no texto, tá lá: ‘briga com o Tiago’, e eu vou fazendo. Eu acho muito divertido. A relação dela com a Raíssa é de proteção, de um futuro que idealizou pra filha, essa é uma questão dela. Com o Tiago, eles trabalham juntos, eu vejo filhos que trabalham com os pais e a relação fica um pouco mais atribulada, porque convivem demais. Ele não quis estudar muito e ficou ali trabalhando com a mãe, então criou uma intimidade. Ela se preocupa tanto com ele. Ela gosta dos dois, mas acho que ela pega mais no pé dele por conta da convivência.

Ser mãe na ficção está te acordando para a maternidade na vida real?

Não, porque eu acho que estou resolvida com isso. Já falei em outras entrevistas que eu quero adotar. Maternidade está muito dentro de mim, mas não para gerar. Vou fazer 43 anos agora, não dá, vai ser arriscado engravidar, não acho que meus hormônios estejam bons pra engravidar agora, então não é uma coisa que vai me fazer sofrer. Acho que esse peso que colocam na mulher, eu nunca me preocupei. Porque eu acho que eu já exerci a maternidade de outras formas na minha vida, nunca me coloquei esse peso. Daí casei, essa não foi uma questão no meu casamento. Se tiver que ser, vou adotar. É igual, só não vai sair daqui. Quando eu era pequena eu já pensava isso, eu ia muito em lugares de adoção. Eu e minhas amigas de escola nos reuníamos e íamos em lares adotivos. Eu chegava em casa muito encantada com aquelas crianças.

Mas você tem isso programado?

Não, eu sei que demora. Eu e meu marido nem chegamos a conversar sobre isso. Eu deixo as coisas acontecerem.

Você ficou conhecida do grande público no Zorra Total, mas agora as pessoas estão vendo um outro lado da atriz nas novelas. Essa personagem de Malhação está sendo importante nesse processo?

Eu acho que sim. Com a Carla eu trabalho o humor. Ela tem comédia romântica, drama familiar, maternidade, tem culpa, alegria…. Dá pra ver um pouco mais de mim. Cada trabalho dá a chance de mostrar mais coisas. Tomara que eu tenha mais chance de mostrar outros trabalhos.

E como o público reage com essas mudanças?

Tranquilo, as pessoas que já tinham me visto na novela (Pega Pega), muita gente me conhecia do Zorra. Tem gente que via Amor e Sexo e não via a novela e agora está vendo e se surpreende. Você vai ganhando outros públicos. Natural.

Você vai estrear um espetáculo, conta um pouquinho sobre a peça.

Só de Amor é um espetáculo que eu escrevi, eu e meu marido. Foi um trabalho a quadro mãos. Eu fui escrevendo, o espetáculo foi se escrevendo, quando eu vi era uma história que contava a minha história, é uma cantora que vai entrar num show muito especial da vida dela e algo sai errado. Na verdade ela está numa crise de pânico, numa crise de ansiedade. Eu sofro com isso a vida inteira e trabalho com isso a vida inteira e, graças a Deus, consigo viver com isso. É uma comédia musical, eu interajo muito com o público, ela encontra pessoas conhecidas na plateia, ela volta pra adolescência, volta pra infância, resolve questões com os pais. Acho isso muito importante pra gente ver o que a gente é hoje. É um solo, uma comédia. Eu me sinto muito feliz fazendo isso.

Como você administrou esse drama na vida real?

Com leveza. Eu fiz muito terapia quando era criança. Eu já tinha indícios de ansiedade.

Você entendia que era uma terapia?

Entendia, terapia infantil é aquela coisa com desenhos. Eu fazia muita coisa com argila. Você vai demonstrando com desenhos até você conseguir falar. Fui trabalhando isso, depois psiquiatra também, é importantíssimo, porque o pânico chega numa fase que você precisa. Eu nunca me deprimia, lógico que você tem momentos. Quando não conseguia chegar na esquina voltava pra casa frustradíssima, mas eu não me cobrava a perfeição, numa me cobrei ser perfeita e me boicotei muito durante muito tempo, até na carreira. É muito mais fácil você ficar em casa.

Você tinha pânico de locais fechados?

Exatamente, eu tenho pânico de túnel, eu fiquei sem entrar no elevador durante muito tempo, marcava médico só em andar baixo, viaduto.

E avião?

Imagina, eu moro em São Paulo. Pensa na minha vida. E eu odeio ônibus também, estrada. Tudo que você não vê a rua. Viaduto, túnel. Só sabe quem tem. Ninguém é anormal por causa disso.

Mas hoje você leva numa boa?

Eu trabalho com ansiedade. Eu deixo ela vir e vou trabalhando com ela. Vou trabalhando com a minha ansiedade, com as minhas questões. Graças a Deus eu sou muito positiva.

Você acha que fazer teatro, televisão, te ajudou nesse processo?

Muito, porque isso me levava a sair de casa, por que eu gostava tanto de estar no palco, eu ia passando mal, mas eu ia. Minha mãe ia comigo no metrô, imagina pegar táxi, tinha que ir de metrô. Eu ia desenhando, fazendo círculos e apertando coisas, coisa horrível, chegava lá, ensaiava e a volta era mais uma questão.

Você acha que sua peça vai ajudar as pessoas?

Acho que vai. Muita gente que vê se identifica. Agora eu sou independente, eu ando sozinha.

Quando você teve alta da sua mãe?

Depois dos 30 anos que eu comecei a me cuidar melhor. Eu procurei uma psiquiatra e tomei medicação. As vezes eu recorro ao medicamento sim. Você vai aprendendo. Não tem que ter vergonha e medo de medicação, nem de procurar um psiquiatra.

Mas você ainda tem muitos problemas por conta do pânico?

Agora muito menos. Quando você sofre durante o trajeto é horrível, porque são pequenas mortes, quando você não consegue é a sensação de perdas. Hoje em dia eu tenho muito pouco essas coisas. Mas agora, por exemplo, eu to ficando num flat na Barra, a peça é na Gávea, eu já estou pensando na sexta-feira como vai ser o trajeto, eu vou pegar um túnel. Aí eu recorro a música, respiração, pensamentos positivos. Parece ridículo, mas acontece. E falar disso ajuda também. Quando eu comecei a assumir isso, eu me senti melhor. Por exemplo, só ando na frente no carro e muita gente não entendia, falar ajuda. No avião quando eu comecei a voar sozinha eu pedia pra segurar a mão das pessoas na hora de decolar. Eu fui acostumando e hoje em dia eu lido numa boa. Eu fiz terapia cognitiva comportamental, você vai passando por etapas. Uma estação de metrô por vez, quando você vê você está em Nova York, na Europa.

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