Totia Meireles, a Mercedes de Verão 90 / Foto Reprodução: TV globo

O desfecho de Mercedes em ‘Verão 90’ será cruel. Depois de fazer todo tipo de vilania na trama, a megera terminará falida, trabalhará como camelô e vai até fugir da polícia. Para Totia Meireles, intérprete da personagem, os autores até poderiam pegar um pouco mais leve. Mas a atriz se diverte ao falar dessa mulher que, na visão dela, parece mais um personagem de histórias em quadrinho.

Em entrevista ao Área Vip, Totia comentou o desfecho da trama e falou que se inspirou em Marília Pêra em ‘Brega e Chique’ para compor as caras e bocas da personagem.

Você acha que a Mercedes se tornará um vilã inesquecível na memória do público?  

É difícil falar que conseguiu o objetivo, porque a gente está sempre correndo atrás. Na gravação da última cena, eu perguntei como seria ela nessa última cena.

O que você mais gostou nesse trabalho?

Eu acho que foi um trabalho bacana. Uma coisa que eu pensei logo no início para a Mercedes foi imprimir a personalidade dela no olhar. Eu acho que a gente conseguiu chegar no cabelo, nas joias, na roupa, na postura dela. Isso funcionou bastante. Só de olhar para aquela mulher, você já percebe que tem alguma coisa por trás. Então eu acho que isso eu consegui. Eu me diverti muito! O que eu mais gostei da Mercedes? Foi a maldade, muito bom.

O que você mais ouviu do público durante o período da novela?

Uma coisa muito engraçada é que a vilã tem uma empatia muito grande com o público. O que eu ouvia era que eu era má, mas todo mundo adorava ver a Mercedes. Eu acho que todo mundo queria ver o que ela ia fazer, até que ponto ela poderia chegar. Isso foi bem legal! As pessoas queriam ver a Mercedes, não importa fazendo o que.

Na reta final da novela, o Quinzão (Alexandre Borges) decidiu se separar da Mercedes para viver com Lidiane (Claudia Raia). O que você achou dessa decisão?

Pois é, o Quinzão se separou. Mas já estava marcado que eles iam se separar. Isso eu já esperava, mas é sempre ruim. Eu acho que é um casal que imprimiu uma identidade. Foi muito definido o papel de cada um dentro da relação deles e, agora, essa relação foi por água abaixo. Tem tantas surpresas para acontecer com esses dois. Mas foi legal a separação dos dois, eu achei produtivo tanto para ele quanto para ela.

A Mercedes vai perder toda a fortuna e virar vendedora ambulante no final de Verão 90. O que você achou desse final?

Eu acho que tudo de ruim que acontece com a Mercedes ainda é pouco, diante de tudo que ela fez. Eu não posso defender uma mulher assim, não tem defesa. Eu acho que ela vai passar por poucas e boas. O Andreas Moratti está chegando para destruir com ela. Por outro lado, vão acontecer coisas interessantes nessa relação. Mas o final que ela vai ter, eu acho que é bem merecido. Mercedes vai ter um final bem interessante.

Você daria outro final para Mercedes?

Eu queria que ela terminasse com os vilões unidos, com o Jerônimo (Jesuíta Barbosa), a Vanessa (Camila Queiroz)… O Galdino (Gabriel Godoy) convida ela para viver com ele em Guarapari, com o dinheiro que roubou dela. Mas ela não termina com os vilões, infelizmente.

Apesar de ser uma vilã, a Mercedes tem um lado cômico, como é fazer essas cenas misturando drama e comédia?

É uma vilã de novela das sete, então é uma outra tinta. Eu acho que era uma vilã de histórias em quadrinhos. A gente fica com raiva, mas a gente acha graça. Uma pessoa me falou uma coisa muito interessante dessa novela e depois eu parei para pensar:  ‘todos os vilões dessa novela sempre se dão mal’. Eles fazem maldades, se tão bem na hora. Mas, daqui a dois minutos, eles se dão mal. A Mercedes também. Ela fez o que fez, mas perdeu o marido, os filhos se afastaram, vai perder a grana. Ela não perde a postura, mas está sempre se dando mal. Eu acho que isso tem uma coisa de cômico. Não é aquele vilão que fica fazendo maldade a novela inteira e no último capítulo se dá mal. A gente está se dando mal a novela inteira.

A Lidiane até tenta consolar a Mercedes quando descobre o golpe que ela sofreu. Você acredita que essa vilã tem um pouco de empatia dentro dela?

Quem tem bom coração sempre quer ver o vilão se dar mal. Mas quem tem um bom coração, quando ver uma pessoa sofrendo, também fala que é coitada. Então eu acho que é isso, fora o carisma que a Mercedes tem. Apesar de ser uma vilã, a personagem tem um carisma e isso leva a ter um pouquinho de pena dela. Eu fico morrendo de pena dela.

A Mercedes é uma vilã bastante colorida, cheia de acessórios e gestual. Como você trabalhou para ela não cair na caricatura?

A direção dá um caminho para seguir. Eu acho também que o texto dá, não precisa sublinhar cada coisa do texto. Nos gestos, eu estudei muito Marília Pêra em Brega e Chique (1987). Tem umas coisas que eu peguei para a Mercedes que era da Marília. A Marília sempre falava assim no personagem dela: ‘pois é! Não é, Alexandre?’. Ela dava uma pausa e acaba de falar. Então eu peguei isso porque achava ótimo. Eu fui buscando coisinhas e ainda bem que não cai na caricatura. Toda vez que eu falo e penso na Mercedes é com ela falando de verdade. É a verdade dentro da mãozinha, que ela sempre tem na testa. Ela é sempre muito estudadinha. Eu tentei deixar isso natural.

Você gostou dos figurinos da personagem?

Eu acho que o ponto alto dela eram as joias e os figurinos. É muito diferente de mim. Eu sou toda largada, despojada, muito diferente da Mercedes. Então é bom vestir uma coisa totalmente diferente de você. Eu me sentia realmente a Mercedes quando vestia os figurinos. Eu adorei, achei muito elegante.

O que você leva de Verão 90 para a sua carreira?

Verão 90 para mim foi uma diversão e alegria. Nossa coxia era muito boa! Nunca tinha trabalhado com o Alexandre, então a companhia dele foi maravilhosa. A gente se deu superbem. Os meus filhos, Débora (Nascimento), Caio (Paduan). A minha primeira novela foi com direção do Jorginho (Fernando) em  Que Rei Sou Eu, então voltei a trabalhar com ele. Eu acho que essa novela cumpriu o dever dela que foi divertir as pessoas. As maldades de todos os vilões eram engraçadas. Era uma novela para você sentar, rir e se distrair. Ela é muito colorida! Então eu fico feliz de ter passado isso para o público, um momento de relax. Eu acho que esse é o intuito de uma novela das sete,  mais do que educar, é entreter.

Qual a sua maior saudade dos anos 90?

Saudades eu não tenho muitas. A única saudade que eu tenho é dessa coisa do celular e internet, muito chato hoje em dia. Todo mundo tem uma verdade, todo mundo tem que dar uma opinião sobre absolutamente tudo. Se você está em um grupo e não responde, você não está participando. É um saco! Nos anos 90 não tinha isso. Eu casei em 91, acho que sou a mais velha da novela. Eu vivi o que estou vivendo agora, foi o meu tempo. Então é isso, a individualidade que tínhamos e que não temos hoje com essa coisa da internet.

E depois da novela, quais são seus projetos?

Tenho, mas não posso falar. Me proibiram porque eu sou muito bocuda, vou falando. Vai ter uma coletiva para lançar esse novo projeto. Mas tenho um novo projeto de televisão vindo aqui da Globo.  E vou estrear, dia 19 de julho, Pippin no Teatro FFAP, em São Paulo.

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