
Documento sigiloso revela que o governo Trump buscava usar tarifas como instrumento de pressão para forçar o Brasil a se alinhar contra a China, oferecendo alívio tarifário apenas em troca de concessões amplas em comércio, regulação e política externa.
Informação exclusiva de Jamil Chade no ICL. O documento entrega o motivo de um discurso de Lula que foi considerado “aula” na web.
O governo Trump condicionou a redução de tarifas sobre produtos brasileiros a uma série de exigências comerciais e geopolíticas, incluindo restrições a investimentos chineses no Brasil e abertura total do mercado para bens norte-americanos. Em resumo, os EUA buscavam alinhar o Brasil à sua estratégia contra a China em troca de alívio tarifário.
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O pedido era uma exigência de bloquear investimentos chineses em setores estratégicos como mineração, refino e terras raras e revisão de operações de níquel e minerais críticos para favorecer empresas norte-americanas.
Além disso, o Brasil deveria consultar big techs norte-americanas antes de impor regulações sobre redes sociais ou plataformas digitais e apoio brasileiro a uma moratória tarifária na OMC para o setor de tecnologia.
A proposta colocava o Brasil em posição delicada, já que China e EUA são seus maiores parceiros comerciais. Analistas consideraram as exigências uma afronta à soberania nacional, pois iam além de concessões comerciais e envolviam alinhamento político.
A revelação expõe o motivo de um discurso de Lula 4 semanas atrás na cúpula do G7. Na ocasião, ele disse que não é preciso “pós-graduação em Harvard”, apenas “bom senso geográfico” para perceber que a diversificação de parceiros e investimentos é fundamental.
Em fala no G7, Lula paragonou os investimentos da China no Brasil e os dos Estados Unidos e da União Europeia. Em sua análise, que retomou à queda do Muro de Berlim, os europeus e os americanos “esqueceram de fazer investimentos na América Latina e na África”. A Europa se voltou para o Leste Europeu, e 70% das exportações da Alemanha passaram a ser nessa região.
“A China ocupou o espaço que estava vazio pela ausência dos europeus e dos americanos”, disse. “Eu disse ao presidente Trump que o Brasil há muitos anos faz licitação internacional e o EUA não participa. A UE não participa. Quem participa? A China“, expôs.
“Nós não queremos entrar na briga dos dois“, disparou Lula.
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