
A “Marcha para Jesus” em São Paulo operou um inusitado milagre: o evento religioso transformou-se, como da água para o vinho, em palanque eleitoral. Apesar da promessa do organizador, apóstolo Estevam Hernandes, de manter o ato livre de discursos de viés político, personalidades da extrema-direita voltaram a marcar presença no encontro mais uma vez. Pois é, parece que eles não resistiram à tentação de utilizar a fé de uma multidão para tentar conquistar votos para as eleições deste ano…
Ao transformar adversários em inimigos espirituais, políticos aprofundam a polarização dentro dos templos e das ruas
Entre os presentes estavam o senador Flávio Bolsonaro (PL) e seu aliado, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ambos demonstrando espírito devoto, ou seria de voto? O pré-candidato ao Planalto entoou uma propaganda eleitoral em tom de oração e decretou o início de uma “guerra espiritual”, retratando a oposição como uma força demoníaca a ser combatida.
🇧🇷✝️ Flávio Bolsonaro participa da Marcha para Jesus, declarando que o Brasil enfrenta uma “guerra espiritual” e fazendo críticas veladas ao atual governo. pic.twitter.com/Aed4znTlU7
— Brasil Alternativo (@bralternativo_) June 4, 2026
Enquanto isso, parte da multidão respondeu com aplausos, deixando em segundo plano um dos ensinamentos mais conhecidos de Jesus Cristo: “Amai-vos uns aos outros.“. Será que eles se esqueceram?
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Lula e a Marcha para Jesus
Embora o Partido Liberal (PL) tenha comparecido “em peso” para criticar o atual presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), há um detalhe que chama atenção. Acontece que a própria “Marcha para Jesus” foi oficialmente reconhecida por meio de uma lei sancionada por Lula, em 2009. A norma nasceu de uma proposta apresentada, no ano anterior, pelo então senador Marcelo Crivella (Republicanos-RJ).
Dessa forma, a Lei Federal nº 12.025/2009 instituiu oficialmente o “Dia Nacional da Marcha para Jesus”, celebrado anualmente no primeiro sábado subsequente aos 60 dias após domingo de Páscoa.
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A teologia política brasileira teria crucificado novamente o filho de Deus
Mas mudando de assunto, a pergunta que fica é: Jesus iria à Marcha para Jesus dos dias atuais? Provavelmente não. Inclusive, seria arriscado vê-lo novamente crucificado após ser apontado como “esquerdista” por se preocupar com os pobres, os marginalizados e as minorias. Tudo isso, é claro, sob o julgamento daqueles que se apresentam como guardiões exclusivos da fé e da moral. Os filhos e apoiadores do falso “Messias”.
Ao observar o evento, a impressão que permanece é a de que a figura de Cristo ocupa cada vez menos espaço do que aqueles que afirmam representá-lo. Em vez da mensagem, ganha destaque o mensageiro. Em vez da reflexão, prevalece o slogan. E, em vez da espiritualidade, cresce a disputa por influência, poder e capital político.
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Na prática, a celebração de Corpus Christi serviu para mostrar que, na teologia eleitoral brasileira, o país segue cada vez mais perdido e polarizado.
Lula explica ausência na Marcha para Jesus: “Proveito político de coisa sagrada”
Recentemente, Lula (PT) conversou por telefone com o apóstolo Estevam Hernandes. O líder religioso é fundador da Igreja Renascer em Cristo e um dos organizadores da Marcha para Jesus. Durante a ligação, o presidente petista explicou por que rejeitou o convite para marcar presença na reunião evangélica… LEIA MAIS SOBRE ISSO AQUI!






