Nos próximos capítulos, outra má noticia no mesmo hospital em que acabara de falecer Alberto. Infelizmente, o resultado do exame de sangue pedido por Rui confirma o que antes era apenas uma suspeita: Benny é, sim, portador do vírus da AIDS. Não desenvolveu a doença, mas está infectado. Desde quando? Não se sabe. Nem Benny quer saber. Não faz diferença pra ele. Estar ou não estar doente não muda nada diz ao médico, sem esconder o sarcasmo. Enganam-se se pensam que, por conta disso, ele vai alterar uma vírgula sequer no seu comportamento autodestrutivo. Pode ter contaminado muita gente, pode contaminar muitas mais, e o que isso importa pra ele? Nada.

Deveria ter um mínimo de responsabilidade, usar camisinha, fazer tratamento, cuidar da própria saúde e a dos outros. Mas o que Benny faz? Nada. Jura que não sabe viver de outro jeito senão perigosamente. Viver, pra ele, é arriscar tudo contra todos, é ignorar e ultrapassar todos os limites, é beirar a insanidade e desafiar a morte.

Numa rápida conversa com ele e de forma sutil, quase doce, Flora sintetiza bem qual o maior problema de Benny: falta de amor. Falta de amor agora e na infância. Por mais que tente negar, fazer-se de forte, Benny sabe que essa é a mais pura verdade. E sai do hospital aos prantos, um pranto infantil, inconsolável, como se ali chorasse não o homem, mas o menino humilhado do passado.



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