Neste mês de outubro, completam-se 10 anos sem Renato Russo. Um dos mais adorados artistas do rock brasileiro de todos os tempos, o ídolo também é um dos campeões de capa da história da revista Bizz – à sua frente, apenas o líder do U2 Bono Vox. E é justamente no mês dos 10 anos de sua morte que Renato Russo estampa pela décima vez a capa da publicação, uma das mais tradicionais e respeitadas da música pop nacional. Neste momento de cultos e adorações póstumas, a equipe revista ousa na edição 206 e destaca dez histórias que os fãs de Renato Russo não gostariam de ouvir.

Em vez de se conformar à típica imagem de “santo”, “poeta sensível” ou “messias” a revista preferiu reunir dez pessoas que conviveram intimamente com o artista para saber, exatamente, qual o verdadeiro Renato Russo – o homem, muito mais profundo e controverso, do que gostariam os que cuidam de seu espólio. “A relação entre Renato Russo e a Bizz sempre foi de confiança”, conta o editor-chefe da revista, Ricardo Alexandre. “Era nossa obrigação explicar que o cantor era muito mais do que um santo conselheiro”, acrescenta. “O que Renato, que ponderava cada aparição televisiva, diria ao ver sua mãe chorando no Superpop entre um desfile de lingerie e um merchandising de refrigerante? Dez anos depois da sua morte, o maior ídolo da história do rock brasileiro vem se transformando em algo muito diferente do que ele planejou”, reflete Ricardo Alexandre. E completa: “As dez histórias que os fãs de Renato Russo não gostariam de saber não ambiciona destruir a memória do vocalista da Legião Urbana. Pelo contrário, ela ambiciona salvar a memória do artista de gente que pouco o conheceu, pouco conviveu com ele e a quem a velha Turma da Colina define como sanguessugas”.

Para isso, a revista se valeu de depoimentos sem-censura de dez pessoas que conviveram de perto com ele, seus colegas de Legião Urbana, Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos, até sua mãe, Dona Carminha Manfredini. Confira trechos de depoimentos bombásticos:

– “Ouvi o psiquiatra dizer que meu filho não era realmente homossexual, ele queria quebrar barreiras.” (Dona Carminha Manfredini, mãe de Renato Russo)

– “Nos anos 80, eu perguntei ao Renato sobre a nossa história em Brasília, de termos sido tão companheiros, se aquilo tinha algum significado para ele… Ele falou: ‘Fê, aquilo passou, cara. Já era.’” (Fé Lemos, do Capital Inicial, baterista da primeira banda de Renato, o Aborto Elétrico)

– “Era um saco, ele tocando violão, sozinho. A gente jogava moeda no palco e gritava: ‘Toca Cauby!’.” (Philippe Seabra, da Plebe Rude, sobre a fase “Trovador Solitário” de Renato)

– “Ele vivia falando em tudo quanto era entrevista que teve uma vez em que a Legião foi presa em Minas Gerais… Meu, em São Paulo a gente era preso todo fim de semana, apenas por sermos punk!” (Clemente, dos Inocentes)

– “Renato era muito respeitoso com a gravadora. Era o Marcelo Bonfá que o impulsionava a fazer malcriação.” (Jorge Davidson, ex-diretor da EMI)

– “Ele gostava de passar um filme brasileiro de sacanagem e de me ouvir cantando Justify my Love, da Madonna.” (Maurício Branco, ator)

– “Disse a Rosemeire que não procurasse o Giuliano pela mídia, mas que fosse falar com a família de Renato. Ela disse ’eu já procurei, mas eles não querem me ver’.” (Audemir Leuzing, editor, sobre a verdadeira mãe do filho de Renato Russo, Rosemeire Michelucci)

– “Abri a porta, ele me abraçou e, com o exame na mão, disse que estava soropositivo.” (Leonice Coimbra, artista plástica, amiga de Renato)

– “Ele vinha questionando meus métodos de mixagem, até que um dia, chegou e me disse: ’Ó, fiz a minha parte, vai aí e mixa o disco’.” (Dado Villa-Lobos, sobre a última briga da Legião Urbana)

– “Estávamos mal, anunciando o fim da Legião. Enquanto isso, outras pessoas registravam o nome da banda, nossa marca.” (Marcelo Bonfá)

Com uma foto inédita – feita nos anos 80 – de um Renato Russo encarando a câmera com cara de desafio e uma baforada imensa, Bizz 206 chega às bancas do País a partir do dia 11 de outubro – exatamente no dia do aniversário de morte do artista.



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