Espelho da Vida - Danilo (Globo/João Miguel Júnior)
Espelho da Vida – Danilo (Globo/João Miguel Júnior)

No fim de 2018, depois de já ter demonstrado vontade deixar o Brasil por conta da violência, Rafael Cardoso sofreu um susto ao ser assaltado no Rio de Janeiro. Na época, ele chegou a se afastar das redes sociais momentaneamente, mas percebeu que podia usar a tecnologia a seu favor.

Passado o trauma,  ele se dedica aos dois personagens em Espelho da Vida. Se em ‘O Outro Lado do Paraíso’, Rafael viveu um aparente mocinho que se transformou em vilão ao longo da trama, na novela de Elizabeth Jhin ele interpreta dois mocinhos em fases diferentes do folhetim. No passado, ele dá vida a Danilo, um pintor apaixonado por Julia (Vitoria Strada). Nos dias atuais ele surge como Daniel, um fotógrafo em busca de sua identidade. Neto de Margort (Irene Ravache), Daniel  tem sonhos misteriosos e vai buscar respostas com sua terapeuta, Letícia (Letícia  Persiles), através da regressão. Em um bate-papo com o Área Vip, o ator falou um pouco do trabalho atual, da família e dos planos para um futuro próximo.

Confira a entrevista!

Como é viver um vilão e logo depois se preparar para dois mocinhos em fases diferentes?

Eu acho que cada processo é um processo. Eu não tenho um processo fixado. Eu vou desenvolvendo ao longo na novela. Durante o processo eu vou descobrindo coisas, eu não gosto de fechar nunca esse processo, até porque é uma obra aberta, tá sempre mudando. Esse processo de novela é uma grande escola pra gente. A gente está sempre com a pulga atrás da orelha pensando no que vai acontecer. O processo do Renato, por exemplo, a gente teve uma preparação grande, por serem dois personagens diferentes, alinhados ali pela mesma loucura, mas eram muito diferentes. Aqui, são dois personagens parecidos de essência, são a mesma alma, pegando pelo espiritismo, e tem a diferença, acredito que nós somos frutos daquilo que a gente viveu. Na época que o Danilo eram outras influências, outras referências, ele foi influenciado por outras coisas e o Daniel foi influenciado por esse mundo maluco que a gente tem. Então, a casca é um pouco mais grossa. E dentro da arte, graças a Deus eu já pinto, já faço as minhas coisas, e o Danilo é um pintor, e a gente vai trazendo do personagem. Eu comecei a pintar muito mais. Eu sempre gostei de fotografar, então comecei a fotografar muito mais. Eu gosto de criar muito imagem, é um processo que eu tenho pra cada personagem, pra cada cenário. Eu leio o texto e busco referência dos lugares em que ele vai estar, desenho, escrevo, é um processo meio esquizofrênico o meu. Eu gosto de encher o caldeirão, e depois sai alguma coisa. Eu vou lá e cato a porção que me interessa mais.

Você saiu de um vilão para interpretar novamente o mocinho, como é isso pra você?

Aqui é um bálsamo. Eu vivi aquela coisa intensa lá (O Outro Lado do Paraíso) e vim pra cá, só amor. Não sabia que o personagem ia ser tão tranquilo assim pra mim. Apesar de serem dois personagens, o Daniel entrou um pouco depois e eu fiquei quase de férias. De cinco a seis meses que eles estão gravando, eu gravei menos de dois meses, se for colocar os dias corridos. Está bem tranquilo, os dias que eu gravo é praticamente só o meu cenário.

Como você vê esse tema de outras vidas, você curte?

Eu gosto, eu curto e eu acredito. A gente já fez Além do Tempo, com a Elizabeth Jhin, eu frequento de tudo um pouco, desde centro espírita, candomblé e umbanda, outros centros. Eu sou espiritualista, corpo, alma…  o corpo e o espírito tem que estar alinhados  e eu acho muito importante cuidar do espírito também.

Fala um pouquinho da história do Daniel.

O Daniel é um artista também, um fotógrafo que está em Portugal e ele está na busca dele mesmo. Ele começa a fazer terapia pra se encontrar. Encontrar esse vazio que ele não sabe de onde vem. Eu acho que todo mundo procura se melhorar. Ele tá tentando se melhorar, na busca desse vazio ele acha essa história decorrente na cabeça dele. Ele vai conseguir ligar ele de Portugal pra cá nessa exposição que ele vai fazer, do quadro, das fotos, do filme que estão fazendo aqui também. Então, é esperar pra ver o que vai acontecer.

Espelho da Vida - Daniel (Globo/Raquel Cunha)
Espelho da Vida – Daniel (Globo/Raquel Cunha)

Ele na história é neto da Margot?

Ele é neto da Margot, eu pensei que fosse filho, mas aí teria que envelhecer muito (risos). Eu não tenho muita coisa, os capítulos mais a frente ainda não chegaram, mas nem eu falaria também (risos) mesmo que eu soubesse. Mas vem muita coisa por aí, vai pegar foto o fina da novela.

E esse visual tá legal, de cara limpa…

Que bom, eu estava de barba muito tempo. Todo mundo falando que eu não tirava a barba. To aqui eu de visual novo. Minha filha é que não gostou muito. Ela falou: ‘Papai cadê sua barba? Eu não gosto, deixa a barba crescer’.

Rafael Cardoso conta que tem planos para deixar o Brasil

A última vez que a gente se falou você estava a espera de um novo herdeiro. Como é a sua relação com a Aurora e o Valentim?

Os dois são maravilhosos. A Aurora está com 4 anos, o Valentim está com 8 meses.

Ser pai de menino é diferente?

Muito. Menino é bruto, é ogro. A motricidade desenvolve mais rápido, mas na cabecinha as mulheres são muito mais rápidas que a gente.  Na parte cognitiva a mulherada tira onda. A gente tem que aprender muito com as mulheres (risos). Estou tendo esse aprendizado. Ele todo carinhoso, só que é bruto.

E rolou ciúmes por parte da Aurora?

Muito ciúme, a mãe tem que dar peito, não tem jeito, mas tipo ‘o papai é meu’. Melhorou muito, mas até hoje quando eu pego o Valentim no colo ela: ‘papai, papai, machuquei o dedo, olha aqui’. Aí eu vou lá dar atenção. Tanto que eu comprei vários presentinhos, que as pessoas chegavam lá em casa com presente pro Valentim, aí eu dava outro pra pessoa dar pra Aurora. Mas tá passando o processo.

Você é um paizão, se sente realizado nesse sentido?

Eu tento, não tive escola,  aprendi na prática,  então eu tento todo dia.

Rafael Cardoso com o filho - Reprodução/Instagram
Rafael Cardoso com o filho – Reprodução/Instagram

Muita gente cobrava a sua entrada na novela e quando aconteceu as redes sociais quebraram. Como é isso pra você?

É bom demais, a colheita é certa, né? Quer dizer que eu plantei a sementinha certo lá atrás e venho colhendo devagarzinho. É bom demais.

Como é o carinho na rua?

É muito bom mesmo e a galera pedia muito: ‘e aí cadê você?’ Eu vou muito a supermercado, feira, adoro estar na rua. As vezes tem tudo em casa, mas eu gosto de comprar pra fazer alguma comida diferente. E aí todo mundo questionava quando eu ia entrar na novela.

E a torcida nas redes sociais e todo mundo shippando os casais. Com a entrada do Daniel você acha que terá mais um casal aí pra torcerem?

Eu acho que sim, na verdade estou esperando por esse momento deles se encontrarem (Daniel e Cris), acho que vai ser lindo. Aí sinto muito pro Alan (risos), mas acho que perdeu.

A Aurora assiste a novela?

Não assiste, ela assiste mais a programação que a gente coloca pra ela, mas as vezes a gente está vendo e ela está brincando, ela dá uma olhada: ‘olha o papai’. Ela já associa.

E ela já te questionou alguma vez?

Já. “Papai porque você está beijando essa outra moça? Você tem outra namorada papai?’ Agora ela está na fase de princesa, que todas tem um namorado, então ela vem perguntar: ‘é muito difícil escolher um namorado papai?’, eu falo: ‘ih, para com esse negócio’ (risos). Mas ela já tá ligada, muito legal.

Aurora e Rafael Cardoso
Mari Bridi / Instagram

A relação entre o Daniel e a Letícia parece mais profissional, você acha que pode rolar um sentimento entre eles?

A tensão sexual existe, Freud já falava da transferência, nessa relação afetiva entre paciente e analista. Eu acredito nisso também. Eu acho que ele sente, mas tem a sapiência de deixar isso de lado.

Você já fez terapia?

Já fiz, mas hoje em dia estou num momento estou bem e acho que não estou precisando. Faço outros tipos de terapia, vou pro mato, vou plantar, é a terapia que eu encontrei pra mim. Tenho minha fazenda, então, levo meus filhos pra fazenda, vou pra cachoeira, vou pro mar, frequento desde o budismo, centro de umbanda, candomblé, vou pra tudo. As energias estão aí do bem, então vamos trabalhar.

Você já pensou em fazer Regressão?

Já pensei em fazer já, eu fiquei curioso, agora mais ainda.

No final do ano você levou um susto com um assalto que você sofreu, mudou alguma coisa na sua vida depois disso?

Mudou bastante, acho que quando a gente toma um susto, um trauma… eu fique um tempo  recluso até pra organizar os pensamentos. Eu queria ir embora, porque tá difícil a violência no país, o Rio de Janeiro principalmente, mas eu comecei a repensar tudo de novo. Eu vou deixar algumas pessoas influenciarem como eu penso ou eu vou pensar? Vou agir racionalmente ou vou agir com o coração? Eu pensei e repensei muito coisa, o que realmente importa pra mim, a vida é uma vela que pode se apagar a qualquer momento, então eu não vou mais perder tempo com besteira. Eu vou cuidar dos meus filhos, eu vou dar o melhor, assim que eu puder eu realmente vou embora, é uma ideia mesmo, eu quero que meus filhos possam correr na rua, agora eles são pequenos, eu ainda controlo, mas na hora que tiverem saindo com os amigos como eu vou ficar em casa? É um trauma que vai passar, mas que no momento eu espero poder dar uma vida melhor pra eles.

Rafael Cardoso e Mariana Bridi (Foto: reprodução Instagram)

Você pensa em dar um tempo na carreira?

Eu acho que isso vai acontecer, eu tenho conversado de leve sobre isso, eu acho que vai ser um momento até pra eu viajar um pouco depois do que aconteceu. Já estou ótimo pessoal, não to mais traumatizado, tá tudo 100%, mas é uma coisa necessária eu desligar um pouquinho e ver as crianças crescerem, porque eu venho emendando uma coisa na outra. Eu acho que é qualidade de tempo que a gente tem, por mais que eu não esteja todo dia em casa, se eu tiver fazendo milhões de coisas e não estiver com eles não vai fazer nenhuma diferença. Então eu preciso de um tempo pra estar com a família, curtir com eles, chegou a hora.

E como é cuidar dos restaurantes também?

É a vida é uma loucura, eu não estou nem com whatsapp, porque se não seria pior ainda. É planilha o tempo inteiro por email, são três restaurantes, a fábrica de suco, os orgânicos, a indústria de água que eu estou abrindo. Toda hora eu coloco gente competente pra trabalhar pra mim, sem isso eu não conseguiria. Tenho meu braço direito que trabalha comigo, que é o Evandro, meu empresário e ele cuida de outras coisas pra mim também, e aí tem o Flavio. Eu tenho uma equipe por trás que cuida dessas coisas pra mim também.

A parte empresarial seria tão forte quanto a parte artística, meio a meio?

O que me motiva é a arte, o que me proporcionou estar fazendo desenvolver o lado empreendedor também. Eu nunca gastei com nada de supérfluo, de ostentação, decidi investir pra poder na frente usufruir disso. Não tem mais ou menos. Eu agradeço muito por ter dado certo no lado artístico. Eu tenho muito amor pelo meu lado empresarial, mas o meu amor é a arte. Tanto que meu hobby é tocar piano, pintar. Lógico que eu vou plantar também, não é a toa que eu fiz engenharia ambiental, acho que não tem que ser uma coisa só na vida, a gente tem aprender fazer coisas.

Que tipo de arte você faz?

Eu faço de tudo um pouco, eu mesclo. Eu tenho uma oficina, um marcenaria, meu pai tinha uma serralheria em casa, então eu aprendi a fazer, meu tio era marceneiro, então eu aprendi também e tenho uma marcenaria e serralheria em casa. Eu mesclo tudo, luminária, banco, cadeira, mesa, resina cristal, pego os quadros, coloco com plástico, tinta a óleo, misturo com spray, faço pinturas na parede. Te tudo um pouco, não sou apegado. Eu mostro alguma coisa no Instagram.

É um homem completo, e ainda cozinha…

Estou aprendendo a cozinhar (risos).

Como é que você lida com as redes sociais?

Eu lido da minha forma. Eu nunca fui muito intenso nas redes sociais, pensei em sair fora, mas eu vi que é uma ferramenta pra rotativa do que eu acredito. Fiquei recluso um pouco, pensando muito sobre isso,  depois que eu sofri o assalto eu ia sair fora,mas depois eu pensei melhor e quero usar de uma maneira boa, pra divulgar as coisas que eu gosto e coisa boa. As outras coisas eu deixo pra Mariana. Usar o youtuber, que hoje está muito presente na vida das pessoas. Eu quero falar sobre sustentabilidade, já estou alinhando tudo. Eu tenho outra rede social e eu sou sócio, é ela que doa 30% de tudo que entra de patrocínio vai pra instituições, são eleitas quatro instituições. Eu quero desenvolver meu trabalho lá, é um processo que eu não vou largar.

Já recebeu convite pra apresentar programa em canais fechados?

Não, mas eu vou apresentar o meu. Não sei quem vai comprar. Eu não vou falar a ideia pra ninguém pegar. Ano que vem esse projeto já vem.

A gente sabe que você passou por poucas e boas até chegar aonde chegou. Que conselho você daria pra quem está começando agora?

Não desistir dos sonhos, perseverar mesmo. E o mais importante é ter o plano A, B, C, D e F. Eu pra chegar aqui eu lavei prato em restaurante, cozinhei, fiz evento pra ganhar 50 reais entregando chaveiro na porta do aeroporto embaixo de sol, vendi cigarro. Sempre lutando pelo melhor, mas correndo atrás.

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