
O governo Trump revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, alegando “reciprocidade” pela demora na aprovação do novo embaixador dos EUA e pela negativa de vistos a dois funcionários do Departamento de Estado. O Brasil respondeu que esses funcionários vinham para questionar o sistema eleitoral, o que configuraria interferência externa.
Analistas apontam que a medida faz parte de uma ofensiva iniciada em 2023 para desgastar Lula e preparar terreno para contestar uma eventual vitória dele. Essa ofensiva inclui sanções, apoio a Eduardo Bolsonaro nos EUA e alinhamento com Flávio Bolsonaro no Brasil, segundo análise de Ivan Longo da revista Fórum.
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Eduardo Bolsonaro atua nos EUA fazendo lobby por sanções contra autoridades brasileiras. Flávio Bolsonaro repete a estratégia do pai, reunindo diplomatas estrangeiros e levantando dúvidas sobre as urnas, usando investigações sem relação com o Brasil para sustentar uma narrativa de fraude.
Decisões de ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça, ambos indicados por Jair Bolsonaro, têm favorecido Flávio e prejudicado Lula, como censura de pesquisas e restrições à comunicação institucional do governo.
Ivan Longo sugere que a inteligência norte-americana (CIA) acompanha de perto o processo eleitoral brasileiro, atuando por meio de informações e articulações institucionais. Objetivo final seria criar uma narrativa pronta para questionar ou não reconhecer uma vitória de Lula, semelhante à estratégia usada por Trump em 2020 nos EUA. A revogação do visto da embaixadora é vista como parte dessa preparação.
“Fica óbvio o interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente”, declarou o Itamaraty. “A decisão de hoje não é um fato isolado. Faz parte de uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas incompatíveis com uma parceria bilateral que sempre foi pautada pelo respeito mútuo”.
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