
A passagem de Javier Milei pelo Brasil resultou no atropelo de praxes diplomáticas e instaurou uma das crises bilaterais mais severas entre os dois países nas últimas décadas. O clima de atrito provocado pelas ofensas do líder argentino assumiu o topo das coberturas dos jornais Clarín e La Nación.
A primeira quebra de norma foi a ausência de notificação formal ao governo brasileiro. Qualquer deslocamento internacional de um chefe de Estado, mesmo em agenda estritamente particular, exige um comunicado prévio às autoridades locais — etapa ignorada por Milei. Ao desembarcar em São Paulo para integrar um evento do PL, o mandatário foi recepcionado no Palácio dos Bandeirantes pelo governador Tarcísio de Freitas com honrarias de visita oficial. A recepção contou com tapete azul (em referência à aliança de forças de direita) e a entrega da Medalha da Ordem do Ipiranga, a distinção máxima do governo paulista.
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Convidado de honra para o ato que lançou a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, Milei usou seu pronunciamento para criticar as instituições brasileiras e o pleito eleitoral, direcionando ataques diretos e ofensas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro do STF Alexandre de Moraes.
Em resposta, a diplomacia brasileira convocou o embaixador do Brasil em Buenos Aires de volta ao país para consultas, além de ter intimado o embaixador argentino em Brasília a prestar explicações sobre a postura do presidente.
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De volta a Buenos Aires, Milei declarou à imprensa — sem apresentar qualquer evidência — que o Executivo brasileiro teria financiado uma ofensiva midiática contra a Argentina após a Copa do Mundo. Em reportagem divulgada pelo Clarín, alegou que 25% do orçamento dessa suposta campanha viriam de cofres brasileiros, acusação desprovida de embasamento probatório.
Além de endossar a candidatura de Flávio Bolsonaro, a estratégia de Milei visou criar uma cortina de fumaça para sua crise política interna, marcada por reprovação popular entre 60% e 65%. Para isso, optou por afrontar o principal parceiro econômico da Argentina na região e comprador crucial de suas exportações industriais. O restabelecimento da normalidade institucional exigirá um empenho complexo dos diplomatas de ambos os lados.
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