
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) definiu como uma “atitude irresponsável” a deliberação dos Estados Unidos de cancelar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, na última terça-feira, 04.
“Ele [Donald Trump] retirou o visto da nossa embaixadora. Considere essa uma postura irresponsável e impensada para ambas as nações, que mantêm laços diplomáticos há mais de dois séculos”, declarou o chefe de Estado durante entrevista ao canal do YouTube Meteoro Brasil. A medida adotada pelos norte-americanos intensifica o clima de desgaste nas relações entre as duas capitais.
Pela justificativa apresentada por Washington, a ação funciona como uma resposta de reciprocidade ao fato de o Palácio do Planalto ainda não ter concedido a aprovação ao novo representante diplomático dos EUA no país, o parlamentar da Flórida Daniel Perez. Além da questão envolvendo Perez, o atrito se desdobra do veto do Ministério das Relações Exteriores, ocorrido no fim de julho, à concessão de vistos para dois integrantes da gestão Donald Trump que tinham viagens agendadas ao território brasileiro.
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Conforme apontado pelo Itamaraty, os representantes do Departamento de Estado pretendiam viajar ao país com o intuito de colocar em dúvida a integridade das eleições brasileiras.
Ao abordar as possíveis tentativas de ingerência externa na política nacional, Lula assegurou na entrevista desta quarta-feira que o país reagirá a qualquer investida estrangeira sobre as urnas. “O Brasil possui total preparo e vai combater qualquer agente externo que tentar se intrometer em nossas eleições. Tenho ressaltado ao Trump que somos dois chefes de Estado octogenários, lideranças das principais nações da região, e que precisamos demonstrar moderação”, ressaltou.
O governo norte-americano condicionou a liberação do visto de Maria Luiza à aceitação formal (conhecida como agrément) do nome de Daniel Perez por Brasília. Integrantes da gestão Trump declararam ainda que ofereceram ao governo brasileiro “todas as oportunidades para agir corretamente”.
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Apesar da pressão, fontes ouvidas pela imprensa indicam que a probabilidade de o Executivo brasileiro agilizar a validação de Perez é considerada nula. Membros do corpo diplomático do Brasil classificam a iniciativa do Departamento de Estado como uma tentativa de “chantagem”, além de um fato sem paralelo na história do relacionamento entre os dois países.
Em seu pronunciamento, Lula também abordou o impasse envolvendo solicitações feitas à Casa Branca, a exemplo do pedido para derrubar o veto de entrada imposto a autoridades brasileiras em solo norte-americano, pontuando que, mesmo assim, recebeu emissários dos EUA no Planalto. Contudo, adiantou que novos encontros estão suspensos no período pré-eleitoral.
“Todos os diálogos que mantive com ele foram produtivos, e cheguei a entregar uma solicitação para revogar a restrição das 11 autoridades brasileiras impedidas de ingressar nos EUA. Ele não atendeu. Em seguida, questiona sobre os dois enviados que viriam monitorar o processo eleitoral. Cheguei a acolher representantes deles, inclusive dois conjuntamente. Agora, instruí o ministro Mauro Vieira de que não acolherei mais nenhum embaixador no país até o encerramento do pleito”, concluiu.
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