
Ministro Edson Fachin.
Foto: Alejandro Zambrana/STF// (Detalhe nosso)
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, cancelou uma sessão do plenário desta tarde (9) para evitar um confronto direto entre ministros diante da crise interna que se intensificou nos últimos dias.
O momento expõe uma grave crise institucional no STF, marcada por decisões conflitantes entre ministros, acusações de monitoramento ilegal e disputas sobre a chefia da Polícia Federal.
O cancelamento da sessão do STF foi uma medida considerada incomum pelo presidente da Corte, Edson Fachin. Ele decidiu suspender o plenário para evitar que a disputa aberta entre os ministros Flávio Dino e André Mendonça — sobre quem teria autoridade para decidir a chefia da Polícia Federal — se transformasse em um confronto direto dentro da própria sessão, além de Moraes.
+ Moraes e Mendonça quase têm agressão física em discussão no STF- Portal Área VIP
Informações do GLOBO por Mariana Muniz, Pepita Ortega e Sarah Teófilo — Brasília. Como se sabe, Flávio Dino determinou a volta de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal, revertendo decisão anterior de André Mendonça que havia afastado o delegado. A decisão de Dino prevalece por ser posterior.
Dino alegou que o afastamento de Andrei poderia causar “danos irreparáveis” a investigações urgentes, incluindo o caso sobre o suposto desvio de emendas parlamentares para o filme Dark Horse, ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Dino acusou Mendonça de agir por “divergências pessoais” e de paralisar investigações da PF. Ele também estabeleceu uma ordem preventiva para evitar novos afastamentos de Andrei e Leandro Almada, diretor de Inteligência da corporação.
Mendonça afirmou ter sido alvo de “monitoramento sistemático” e ilegal pela área de inteligência da PF, com relatórios sobre sua atuação e relação com o advogado-geral da União, Jorge Messias. Ele classificou isso como “monitoramento ilícito de ministro da Suprema Corte”.
+ Supremo intima Mendonça e dá 72h para ele se explicar – Portal Área VIP
Alexandre de Moraes recebeu relatórios da PF apontando possíveis irregularidades na conduta de Mendonça, levantando suspeitas de abuso de poder e interferência política. Moraes pediu investigação sobre o colega.
Fachin avaliou que a tensão interna poderia comprometer a imagem institucional do Supremo. A suspensão foi justificada como uma forma de dar tempo para que os ministros tratem do impasse sem exposição pública imediata. Fachin afirmou que o STF dará uma resposta “firme e rigorosa”, mas sem precipitação, reforçando que nenhuma autoridade está acima da Constituição.
Essa decisão é rara, já que o plenário costuma ser o espaço para resolver divergências entre ministros, e não para evitá-las. Em outras palavras, o cancelamento foi uma tentativa de desarmar a crise e preservar a estabilidade da Corte diante de acusações e decisões conflitantes.






