Barroso decide votar sobre aborto antes de deixar o STF 

Ministro do STF defende liberdade reprodutiva e saúde pública

Joaquim Neto
Joaquim Neto
Redator e produtor de conteúdo. Formado em Letras pela UFRJ, Mestre e, atualmente, doutorando em Literatura Portuguesa. Acompanha de perto os movimentos do entretenimento e da mídia contemporânea com olhar crítico sobre tudo o que acontece na televisão, música, cultura pop, cotidiano e política.
Ministro Luís Roberto Barroso anuncia aposentadoria – FABIO RODRIGUES-POZZEBOM/AGÊNCIA BRASIL

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta sexta-feira (17) pela descriminalização do aborto voluntário nas primeiras 12 semanas de gestação. Esse é o segundo voto favorável à interrupção legal da gravidez nesse período, mas ainda é necessário formar maioria entre os 11 ministros para que a decisão passe a valer.

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Último voto antes da aposentadoria

O voto de Barroso marca também sua saída do STF, já que sua aposentadoria antecipada começa a valer neste sábado (18). Em seu último dia, o ministro solicitou uma sessão extraordinária no plenário virtual, atendida pelo presidente da Corte, Edson Fachin, para apresentar sua posição sobre o tema.

Barroso enfatizou que o aborto deve ser tratado como questão de saúde pública, não de direito penal. Segundo ele, criminalizar a prática penaliza principalmente mulheres e meninas pobres, que não têm acesso a serviços de saúde, enquanto pessoas com melhores condições financeiras conseguem recorrer a métodos seguros em outros países.

Contexto internacional e direitos fundamentais

O ministro destacou que nenhum país democrático e desenvolvido adota a criminalização do aborto nas primeiras semanas como política pública. Entre eles estão Alemanha, Austrália, Canadá, Espanha, França, Holanda, Itália, Portugal e Reino Unido. Nos Estados Unidos, a decisão varia por Estado, mas a maioria permite o aborto.

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Barroso afirmou ainda que direitos fundamentais das mulheres, incluindo liberdade sexual e reprodutiva, não podem depender da vontade de maiorias políticas. “Se os homens engravidassem, aborto já não seria tratado como crime há muito tempo”, declarou.

Ação do PSOL tramita desde 2017

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A ação apresentada pelo PSOL em 2017 questiona a criminalização prevista nos artigos 124 e 126 do Código Penal e pede a liberação do aborto até 12 semanas. Hoje, o procedimento é permitido apenas em três situações: risco de morte para a mulher, gravidez por estupro ou feto anencéfalo.

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Dados da Pesquisa Nacional de Aborto (2021) indicam que uma em cada sete mulheres próximas de 40 anos já realizou pelo menos um aborto, sendo que 43% precisaram ser hospitalizadas para finalizar o procedimento, reforçando o debate sobre saúde pública e segurança da mulher.

Joaquim Neto
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