
Reportagem do Metrópoles com base em informações da Polícia Federal expõe um contrato bilionário e uma rede de favores envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, o desembargador Newton Ramos e o ministro Kassio Nunes Marques, levantando suspeitas sobre influência em julgamentos de precatórios no STF.
A Polícia Federal revelou um contrato de advocacia de R$ 427 milhões firmado pelo Banco Master com o escritório da advogada Camilla Ramos, esposa do desembargador Newton Ramos. O pagamento dependia do êxito em ações que poderiam liberar R$ 8,5 bilhões em precatórios ligados ao setor sucroalcooleiro.
Informações de Andreza Matais do Metrópoles. “Turma do KN”: Mensagens mostram que assessores de Daniel Vorcaro se referiam ao grupo ligado ao ministro Kassio Nunes Marques como “Turma do KN”. Newton Ramos intermediava pedidos atribuídos ao ministro, como hospedagens no hotel Fasano e camarotes em eventos.
Vorcaro custeava hospedagens de luxo, viagens de avião, camarotes na Sapucaí e até a locação de uma mansão no Rio de Janeiro durante o Carnaval de 2025 para Kassio Nunes. Também há registros de encontros pessoais e pagamentos relacionados.
Em decisões sobre precatórios, Kassio Nunes, Dias Toffoli e Edson Fachin votaram a favor do reconhecimento da dívida, enquanto Gilmar Mendes e André Mendonça foram contrários. Nunes Marques inicialmente havia se declarado impedido, mas mudou de posição e votou.
Semana passada, Kassio Nunes se declarou impedido para julgar Alexandre de Moraes, após revelações de mensagens que indicavam pagamentos mensais de R$ 500 mil ao filho do ministro e outros favores, segundo a matéria supracitada.
Newton Ramos afirmou que sua esposa atuava em causas privadas para o Banco Master e que sua relação com Vorcaro era pessoal, sem vínculo com funções públicas.
“Esclareço que sou casado com a advogada Camilla Ramos, que atua em causas cíveis para o Banco Master. Vale destacar que mantínhamos relação pessoal com o ex-banqueiro antes dos fatos ora objeto de investigação. Em razão da participação societária na empresa Prime You, o empresário foi consultado sobre a disponibilidade de imóveis e transportes. Tratou-se de situação privada articulada com a profissional que presta serviços para o referido banco, sem qualquer vínculo com funções públicas. Por fim, nunca julguei qualquer causa de interesse do Banco Master”.
Kassio Nunes negou ter votado em favor de Vorcaro ou do Banco Master, disse nunca ter trocado mensagens com o banqueiro e classificou como irresponsáveis as tentativas de associar sua atuação a esses serviços.
“O ministro Kassio Nunes Marques nunca votou a favor de Daniel Vorcaro ou do Banco Master, nunca trocou mensagens com o banqueiro e nem pediu nada a ele. O ministro também nunca autorizou ninguém a falar em nome dele. São irresponsáveis quaisquer tentativas de relacionar a atuação do Ministro com os serviços prestados pelo filho ou quaisquer terceiros.
Em relação ao processo citado sobre a usina, o ministro Kassio Nunes Marques estava impedido por anotação da Secretaria porque decidiu o caso como vice-presidente do TRF-1. Posteriormente compreendeu que tecnicamente não estava impedido, por se tratar de tese ampla, pediu retificação à Secretaria e acabou votando. Votou diversas vezes no mesmo sentido enquanto estava no TRF-1. Embora na mensagem eles estivessem comemorando o resultado, não se tratava de ação sobre o Master, era uma tese que se aplicaria a diversas empresas.”






