
A Polícia Federal apreendeu sete armas registradas em nome do deputado federal Mario Frias (PL-SP). O detalhe que chamou atenção é que elas estavam em um endereço diferente do declarado oficialmente pelo parlamentar, o que levanta suspeitas sobre irregularidades na posse e registro.
Informações Fabio Serapião e Bruno Luiz, Colunista do UOL, em Brasília, e do UOL, em São Paulo. Além das armas, os agentes recolheram computadores e celulares. Esses dispositivos serão periciados para verificar possíveis provas digitais, como mensagens, e-mails, contratos e movimentações financeiras que possam confirmar ou ampliar o escopo das suspeitas.
A investigação não se limita à posse irregular de armas. A PF apura indícios de crimes como peculato (uso indevido de recursos públicos), falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraudes em licitações. O conjunto desses crimes sugere um esquema complexo e estruturado.
O nome da operação Dark Horse remete ao filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, no qual Mario Frias atuou como produtor-executivo e roteirista. A suspeita é que emendas parlamentares tenham sido desviadas para financiar a produção cinematográfica, transformando recursos públicos em investimento privado.

Entre os alvos está Karina Ferreira da Gama, dona do Instituto Conhecer Brasil (ICB) e produtora do filme. O ICB teria recebido recursos oriundos das emendas de Frias, reforçando a ligação entre política, financiamento público e produção cultural.
Foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em diferentes endereços, todos autorizados pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. A amplitude da operação mostra a gravidade das suspeitas e a necessidade de coletar provas em diversos locais.
+ Dino proíbe ex-secretário de Bolsonaro de deixar o Brasil – Portal Área VIP
A investigação aponta movimentações financeiras que chegam a centenas de milhões de reais entre empresas ligadas ao esquema. Especificamente, R$ 2 milhões em emendas de Frias teriam sido destinados ao Instituto Conhecer Brasil, reforçando a suspeita de desvio.
Uma das emendas, no valor de R$ 1 milhão, estava destinada a um programa de empreendedorismo em São Paulo. O projeto, porém, nunca saiu do papel, sugerindo que os recursos foram redirecionados para outros fins.
Como forma de conter riscos de fuga ou obstrução da investigação, o ministro Flávio Dino determinou que Mario Frias não pode deixar o país nem manter contato com outros investigados. Essas medidas reforçam o caráter preventivo da operação.






